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Dinheiro e Investimentos

Renda fixa x renda variável: diferenças

Renda fixa x renda variável: veja a diferença de risco, liquidez, imposto e prazo, os riscos que a renda fixa também tem e como dividir o dinheiro.

Por Equipe Talentos DigitalPublicado em 7 min de leitura
Ilustração do tema: Renda fixa x renda variável: diferenças

Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento. Consulte um profissional.

Resumo rápido

  • Na renda fixa, a regra de rendimento é definida na aplicação; na renda variável, o retorno depende do preço de mercado e pode ser negativo.
  • Renda fixa não é sem risco: há risco de crédito, de mercado se você vender antes do vencimento e de liquidez.
  • Renda variável oscila mais e não tem cobertura do FGC, por isso combina com dinheiro que pode ficar anos aplicado.
  • O imposto também é diferente: a renda fixa segue a tabela regressiva da Receita, a renda variável tem regras próprias.
  • A divisão entre as duas depende do prazo dos seus objetivos e de quanto você aguenta ver o saldo cair.
Neste artigo
  1. O que é renda fixa?
  2. O que é renda variável?
  3. Quais as principais diferenças entre renda fixa e renda variável?
  4. Renda fixa tem risco?
  5. Renda variável é jogo de azar?
  6. Como dividir o dinheiro entre renda fixa e renda variável?
  7. Quais erros evitar ao escolher entre as duas?

Renda fixa x renda variável é a primeira divisão que você precisa entender para investir: na renda fixa, a regra de rendimento é combinada no momento da aplicação; na renda variável, o retorno depende do preço de mercado e pode ser positivo ou negativo. Nenhuma das duas é melhor por natureza: cada uma serve a objetivos e prazos diferentes.

A confusão mais comum é achar que renda fixa significa "sem risco" e renda variável significa "cassino". As duas coisas estão erradas, e entender por quê ajuda a montar uma carteira que você consegue manter nos dias ruins. Os critérios gerais de escolha estão no guia de melhores investimentos; aqui o foco é a diferença entre os dois grupos.

O que é renda fixa?

Renda fixa é o investimento em que você empresta dinheiro a alguém, governo ou empresa, com uma regra de remuneração definida desde o início. Essa regra pode ser prefixada (uma taxa conhecida, como 12% ao ano), pós-fixada (um percentual da Selic ou do CDI) ou híbrida (a inflação medida pelo IPCA mais uma taxa).

Exemplos: Tesouro Direto, CDB, LCI, LCA, debêntures, CRI e CRA. "Fixa" se refere à regra, não ao valor final: num título pós-fixado, você sabe como vai render, mas não sabe exatamente quanto, porque a Selic muda ao longo do tempo.

O que é renda variável?

Renda variável é o investimento em que você não sabe de antemão quanto vai receber, nem se vai receber. Ao comprar uma ação, você vira sócio de uma empresa; o retorno vem da variação do preço e de eventuais dividendos, e os dois dependem do desempenho da empresa e do humor do mercado.

Exemplos: ações, fundos imobiliários, ETFs, BDRs e fundos de ações. O preço muda a cada negociação, e o saldo pode ficar abaixo do valor investido por meses ou anos.

Quais as principais diferenças entre renda fixa e renda variável?

critério renda fixa renda variável
Como rende regra definida na aplicação (taxa, Selic, CDI ou IPCA) preço de mercado e proventos, sem regra definida
Previsibilidade alta, se mantido até o vencimento baixa no curto prazo
Pode ter perda? sim, com venda antes do vencimento ou calote do emissor sim, e oscilações fortes são normais
Proteção FGC em CDB, LCI, LCA e poupança, dentro dos limites; títulos públicos têm o Tesouro Nacional como emissor não há FGC
Liquidez varia: diária, no vencimento ou com carência em geral alta, mas o preço de venda é o do dia
Imposto de renda tabela regressiva de 22,5% a 15% sobre o rendimento; LCI, LCA e poupança isentas para pessoa física regras próprias, que dependem do tipo de ativo e da operação
Para que prazo combina reserva, curto, médio e longo prazo médio e, principalmente, longo prazo

A cobertura do FGC é de até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos, e não vale para títulos públicos, fundos, ações, CRI e CRA.

Renda fixa tem risco?

Tem, e são três os principais.

Risco de crédito: quem emitiu o título pode não pagar. Num CDB, é o banco; numa debênture, a empresa. O FGC reduz esse risco nos produtos cobertos, até os limites. Nos títulos do Tesouro Direto, o emissor é o Tesouro Nacional.

Risco de mercado: títulos prefixados e atrelados ao IPCA têm preço que muda todos os dias, conforme os juros do mercado. Esse movimento é chamado de marcação a mercado. Se você mantém até o vencimento, recebe a taxa combinada; se vende antes, recebe o preço do dia, que pode ser maior ou menor que o de compra. O próprio Tesouro Nacional, ao recomprar um título antes do vencimento, usa o valor de mercado daquele momento.

Risco de liquidez: não conseguir resgatar quando precisa. LCI, LCA e muitos CDBs só pagam no vencimento ou depois de uma carência. Por isso a reserva de emergência deve ficar em aplicação com liquidez diária e pouco sujeita a oscilação.

Renda variável é jogo de azar?

Não, mas exige outra relação com o tempo. O preço de uma ação reflete expectativas sobre a empresa e muda o tempo todo; no curto prazo, a oscilação pode ser grande mesmo em empresas sólidas.

Quem entra na renda variável precisando do dinheiro em poucos meses fica refém do preço do dia. Quem entra com dinheiro que pode esperar anos, diversifica entre vários ativos e aplica aos poucos reduz o peso de uma escolha ruim ou de um momento ruim do mercado. Ainda assim, não há cobertura do FGC, e perder parte do valor investido é uma possibilidade real.

Como dividir o dinheiro entre renda fixa e renda variável?

Pelo prazo dos objetivos e pela sua tolerância a ver o saldo cair. Não existe percentual certo para todo mundo, mas o raciocínio costuma seguir esta ordem:

  1. Reserva de emergência: 100% em renda fixa com liquidez diária.
  2. Objetivos de até dois anos: renda fixa com vencimento próximo da data em que o dinheiro será usado.
  3. Objetivos de dois a cinco anos: renda fixa, com títulos atrelados à inflação ganhando espaço.
  4. Longo prazo: aqui a renda variável pode entrar, em proporção que você consiga manter sem vender tudo na primeira queda.

Uma forma prática de testar a sua tolerância: imagine o valor que você colocaria em ações caindo pela metade por um ano. Se isso faria você perder o sono ou vender tudo, a parcela está grande demais para o seu perfil agora.

Para quem está começando, o caminho mais comum é passar os primeiros meses só na renda fixa, aprendendo a ler extrato, taxa e vencimento. As opções mais usadas estão explicadas em Tesouro Direto: como funciona e em CDB, LCI ou LCA: qual escolher. O roteiro completo, da dívida à primeira aplicação, está em investimentos para iniciantes.

Quais erros evitar ao escolher entre as duas?

  • Tratar renda fixa como poupança turbinada. Título com vencimento longo pode ter preço menor se você vender antes.
  • Entrar na bolsa com dinheiro da reserva. Uma emergência pode chegar justamente numa queda.
  • Olhar só a rentabilidade dos últimos meses. Um ativo que subiu muito pode cair; um que caiu pode continuar caindo.
  • Esquecer o imposto. Comparar ganho bruto de renda variável com rendimento líquido de LCI, por exemplo, distorce a conta.
  • Não diversificar. Na renda variável, concentrar tudo em um único ativo aumenta muito o risco.

Se quiser rever os seis critérios que valem para qualquer produto, das duas categorias, eles estão reunidos no guia de como escolher os melhores investimentos.

Perguntas frequentes

Poupança é renda fixa?

Sim. A poupança segue uma regra de rendimento definida em lei, tem liquidez, cobertura do FGC dentro dos limites e isenção de IR para pessoa física. O ponto fraco costuma ser o rendimento, que em geral fica abaixo de outras opções de renda fixa com risco parecido.

Preciso de muito dinheiro para entrar na renda variável?

Não necessariamente, porque há ações, fundos imobiliários e ETFs negociados em valores baixos por cota. O ponto não é o valor, e sim o prazo: renda variável faz sentido com dinheiro que você não vai precisar tão cedo.

Fundo de investimento é renda fixa ou variável?

Depende da política do fundo. Há fundos de renda fixa, de ações, multimercado e imobiliários. Leia a lâmina e o regulamento para saber onde o fundo aplica, quais taxas cobra e como é tributado.

Qual rende mais no longo prazo?

Não há resposta fixa. A renda variável pode render mais em alguns períodos e menos em outros, inclusive por vários anos seguidos. Rentabilidade passada não se repete por obrigação, e a escolha deve partir do seu prazo e da sua tolerância a perdas.

Fontes consultadas

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Equipe Talentos Digital

Guias escritos e revisados com checagem de regras e taxas nas fontes oficiais. Como escrevemos.

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