Tesouro Direto: como funciona
Tesouro Direto: como funciona a compra de títulos públicos, os tipos (Selic, prefixado, IPCA+), taxa de custódia, imposto e o risco de vender antes.
Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento. Consulte um profissional.
Resumo rápido
- No Tesouro Direto você empresta dinheiro ao governo federal comprando títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional.
- A compra é feita por uma corretora ou banco habilitado, com aplicação mínima de R$ 30.
- Há títulos atrelados à Selic, prefixados e atrelados à inflação (IPCA), cada um indicado para um tipo de objetivo.
- O Tesouro recompra os títulos todos os dias, mas pelo preço de mercado: vender antes do vencimento pode dar ganho ou perda.
- Há taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano, com isenção no Tesouro Selic até R$ 10 mil por CPF, além de IR regressivo sobre o rendimento.
Neste artigo
O Tesouro Direto funciona assim: você compra títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional, ou seja, empresta dinheiro ao governo federal, e recebe de volta o valor com a remuneração definida no título. A compra é feita pela internet, por meio de uma corretora ou banco habilitado, a partir de R$ 30.
É uma das portas de entrada mais comuns para quem está começando, porque as regras são públicas, o valor mínimo é baixo e há títulos para objetivos de prazos bem diferentes. Mas "título público" não é sinônimo de "não oscila", e é aí que muita gente se confunde. Para ver onde o Tesouro se encaixa entre as outras opções, consulte o guia de como escolher os melhores investimentos.
Como funciona a compra de um título do Tesouro Direto?
Você abre conta em uma instituição habilitada, transfere o dinheiro e escolhe o título. As compras são feitas em frações de 1% do valor de um título (0,01 título), desde que o valor aplicado respeite o mínimo de R$ 30. Existe também um limite máximo de compra por investidor, de R$ 1 milhão por mês, e não há limite para vendas.
O título fica registrado no seu CPF na B3, que é a responsável pela custódia e cobra a taxa explicada mais abaixo. A corretora ou o banco é o intermediário que dá acesso ao sistema, por isso escolher a instituição com cuidado importa; o que observar está em como escolher uma corretora.
Quais são os tipos de título do Tesouro Direto?
São três famílias, e a diferença entre elas é a forma de remuneração.
| título | como rende | oscilação se vender antes | costuma ser considerado para |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic | acompanha a taxa Selic | pequena | reserva de emergência e objetivos de curto prazo |
| Tesouro Prefixado | taxa fixa conhecida na compra | alta, maior quanto mais longo o prazo | objetivo com data certa, levando até o vencimento |
| Tesouro Prefixado com juros semestrais | taxa fixa, com juros pagos a cada seis meses | alta | quem quer receber fluxo periódico |
| Tesouro IPCA+ | inflação (IPCA) mais uma taxa fixa | alta, maior quanto mais longo o prazo | objetivos de médio e longo prazo, protegendo o poder de compra |
| Tesouro IPCA+ com juros semestrais | IPCA mais taxa, com juros a cada seis meses | alta | quem quer fluxo periódico corrigido pela inflação |
| Tesouro Educa+ e Tesouro Renda+ | IPCA mais taxa, com pagamentos mensais em data futura | alta | planejamento de estudos e de aposentadoria |
O Tesouro Selic é o que menos oscila porque o rendimento acompanha a taxa básica de juros, que na reunião do Copom de 16 de setembro de 2026 foi fixada em 13,75% ao ano. A Selic muda ao longo do ano; confira o valor atual no site do Banco Central.
Como escolher o vencimento do título?
Pela data em que você vai precisar do dinheiro. O ideal é que o vencimento caia perto dessa data, ou um pouco depois, para que você possa levar o título até o fim e receber a taxa contratada sem depender do preço do dia.
Se o objetivo é daqui a quatro anos, um título que vence em quinze anos obriga a vender antes, com o preço que o mercado estiver pagando. Se o objetivo não tem data (a reserva, por exemplo), o título que menos sofre com isso é o atrelado à Selic. Nos títulos com juros semestrais, lembre que cada pagamento de juros tem IR retido naquele momento, o que muda o fluxo de dinheiro ao longo do caminho.
Posso resgatar antes do vencimento?
Pode. O Tesouro Nacional recompra os títulos todos os dias, mas pelo valor de mercado daquele momento. Se você mantém o título até o vencimento, recebe exatamente a rentabilidade contratada na compra. Se vende antes, o preço depende dos juros do mercado naquele dia.
Na prática: quando os juros de mercado sobem, os títulos prefixados e de IPCA+ já emitidos perdem valor; quando os juros caem, ganham. Esse movimento se chama marcação a mercado e aparece no seu extrato mesmo que você não venda. A lógica completa, com os outros riscos da renda fixa, está em renda fixa x renda variável.
Quanto custa investir no Tesouro Direto?
Há dois custos possíveis e dois impostos.
Taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, calculada todos os dias de forma proporcional e cobrada na venda, no vencimento ou no pagamento de juros. No Tesouro Selic, não há taxa de custódia para valores até R$ 10.000 por CPF; acima disso, a taxa incide só sobre o excedente. O Tesouro Educa+ e o Tesouro Renda+ têm regras próprias de custódia, com isenção para quem leva até o vencimento.
Taxa da instituição: a corretora ou o banco pode cobrar uma taxa própria. Confira na tabela de tarifas antes de escolher.
Imposto de renda: incide sobre o rendimento, pela tabela regressiva da Receita Federal: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. É retido na fonte no resgate, no vencimento ou no pagamento de juros semestrais.
IOF: só em resgates antes de 30 dias da aplicação. A alíquota incide sobre o rendimento e cai dia a dia: no primeiro dia leva 96% do rendimento e chega a zero no trigésimo.
O Tesouro Direto tem cobertura do FGC?
Não. O FGC cobre produtos como poupança, CDB, LCI e LCA de instituições associadas, e títulos públicos ficam fora dessa cobertura. No Tesouro Direto, quem deve o dinheiro é o Tesouro Nacional, e o risco de crédito é o do governo federal.
É justamente essa diferença que leva muita gente a comparar o Tesouro com CDBs e letras de crédito. As regras de cada um e como comparar as taxas depois do imposto estão em CDB, LCI ou LCA: qual escolher.
Quais erros evitar no Tesouro Direto?
- Colocar a reserva em título longo. A oscilação pode obrigar você a vender com perda numa emergência.
- Escolher o título pela maior taxa da tela. Taxa alta num título longo vem com mais oscilação; o que importa é o vencimento bater com o seu objetivo.
- Assustar-se com a marcação a mercado. Ver o saldo cair num título que você vai levar até o vencimento não muda o que você recebe no final.
- Ignorar a taxa da instituição. Somada à custódia, ela pode pesar em aplicações pequenas.
- Resgatar antes de 30 dias. O IOF pode consumir boa parte do rendimento.
O Tesouro Direto é uma peça, não a carteira inteira. Para ver como ele se combina com outras opções conforme o prazo, volte ao guia de melhores investimentos para iniciantes.
Perguntas frequentes
Qual título do Tesouro serve para a reserva de emergência?
O mais usado para esse fim é o Tesouro Selic, porque acompanha a taxa básica de juros e oscila pouco. Títulos prefixados e de IPCA+ podem ter preço bem menor se você precisar vender antes do vencimento.
O que acontece quando o título vence?
No vencimento, o valor é creditado na sua conta da corretora ou do banco, já com o IR e as taxas descontados. Se quiser continuar investindo, você precisa fazer uma nova compra.
Preciso declarar o Tesouro Direto no imposto de renda?
Sim. Os títulos entram na declaração anual como bens e direitos, e os rendimentos resgatados aparecem como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. O informe de rendimentos da sua corretora ou banco traz os valores.
A corretora cobra taxa para o Tesouro Direto?
Cada instituição define se cobra taxa própria além da custódia da B3. Confira a tabela de tarifas da corretora ou do banco antes de comprar, porque essa taxa reduz o rendimento líquido.
Fontes consultadas
Guias escritos e revisados com checagem de regras e taxas nas fontes oficiais. Como escrevemos.