Quanto rende R$ 1.000 no Tesouro Direto? Conta explicada
Se eu investir 1.000 reais no Tesouro Direto, quanto rende? Veja a conta passo a passo com as taxas de setembro de 2026: bruto, IR, custódia e líquido.
Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento. Consulte um profissional.
Resumo rápido
- Quanto rendem R$ 1.000 no Tesouro Direto depende do título, da taxa do dia da compra, do prazo e do imposto de renda.
- Numa simulação com o Tesouro Selic e as taxas de 28 de setembro de 2026, R$ 1.000 chegariam a cerca de R$ 1.113 líquidos em um ano, se a Selic não mudasse.
- A conta tem quatro etapas: rendimento bruto, imposto de renda pela tabela regressiva, taxa de custódia da B3 e valor líquido.
- No Tesouro Selic não há taxa de custódia até R$ 10 mil por CPF; nos outros títulos ela é de 0,20% ao ano.
- Taxas e Selic mudam: refaça a conta com os números do dia no site do Tesouro Direto antes de investir.
Neste artigo
Se eu investir 1.000 reais no Tesouro Direto, quanto rende depende do título, da taxa do dia, do prazo e do imposto: numa simulação com o Tesouro Selic e as taxas de 28 de setembro de 2026, os R$ 1.000 chegariam a cerca de R$ 1.137 brutos e R$ 1.113 líquidos em um ano, se a Selic ficasse parada. Em dois anos, na mesma hipótese, seriam cerca de R$ 1.250 líquidos.
Esses números não são promessa: a Selic muda nas reuniões do Copom e as taxas dos títulos mudam todo dia útil. O que vale guardar é o jeito de fazer a conta, que você pode repetir com os números do dia em que for investir. Como o Tesouro funciona por dentro está em Tesouro Direto: como funciona; aqui o foco é a matemática.
Quais números entram na conta do Tesouro Direto?
Entram quatro números: a taxa do título, o prazo, a alíquota de imposto de renda e a taxa de custódia da B3. Com eles você chega ao rendimento líquido, que é o que de fato cai na sua conta.
Estes são os valores usados nas simulações deste texto, todos conferidos nas fontes oficiais em setembro de 2026:
| Dado | Valor na consulta | Fonte |
|---|---|---|
| Meta da Selic | 13,75% ao ano, desde 17/09/2026 | Banco Central (Copom) |
| Selic efetiva (a que o Tesouro Selic acompanha) | 13,65% ao ano em 28/09/2026 | Banco Central |
| Tesouro Selic 2031 | Selic + 0,0800% ao ano na compra, em 28/09/2026 | Tesouro Nacional |
| Tesouro Prefixado 2029 | 13,93% ao ano na compra, em 28/09/2026 | Tesouro Nacional |
| Taxa de custódia da B3 | 0,20% ao ano; isenta no Tesouro Selic até R$ 10.000 por CPF | B3 |
| Imposto de renda | 22,5% até 180 dias; 20% de 181 a 360; 17,5% de 361 a 720; 15% acima de 720 | Receita Federal |
A instituição onde você compra pode cobrar taxa própria, além da custódia. Confira na tabela de tarifas dela, porque essa taxa entra na conta.
Como calcular o rendimento de R$ 1.000 no Tesouro Selic?
Você aplica a taxa ao valor pelo prazo, desconta o imposto de renda sobre o ganho e, se for o caso, a custódia. No Tesouro Selic, com R$ 1.000, não há custódia, porque o valor está abaixo da faixa isenta de R$ 10.000.
O Tesouro Selic conta os juros em dias úteis (cerca de 252 no ano), mas o imposto de renda conta dias corridos entre a compra e o resgate. É por isso que "um ano" aparece como 252 dias úteis na taxa e 365 dias na alíquota.
Quanto rende em 6 meses, 1 ano e 2 anos?
O prazo muda duas coisas ao mesmo tempo: o tempo em que os juros se acumulam e a alíquota de imposto. Na mesma simulação, com a Selic parada em 13,65% ao ano:
| Prazo | Bruto | Rendimento bruto | Alíquota de IR | IR | Líquido |
|---|---|---|---|---|---|
| cerca de 6 meses (até 180 dias) | R$ 1.065,40 | R$ 65,40 | 22,5% | R$ 14,72 | R$ 1.050,68 |
| 1 ano (365 dias) | R$ 1.137,41 | R$ 137,41 | 17,5% | R$ 24,05 | R$ 1.113,36 |
| 2 anos (730 dias) | R$ 1.293,70 | R$ 293,70 | 15% | R$ 44,05 | R$ 1.249,65 |
Simulação com as taxas de 28/09/2026. Na prática, a Selic vai mudar ao longo do caminho, e o resultado real será maior ou menor. O preço de venda do dia também tem uma pequena diferença em relação ao de compra, o que mexe nos centavos.
Repare que, nos primeiros 30 dias, ainda existe o IOF, que pode consumir quase todo o rendimento de um resgate muito rápido. A tabela do IOF e o detalhe de cada faixa de IR estão em imposto de renda no CDB: tabela regressiva, e valem da mesma forma para o Tesouro Direto.
E se os R$ 1.000 forem para um título prefixado?
No prefixado, a taxa fica travada na compra e você sabe desde o início quanto recebe no vencimento, antes do imposto e da custódia. O preço de cada título é calculado para chegar a R$ 1.000 no vencimento.
Se você vender o prefixado antes do vencimento, o preço será o do mercado naquele dia, que pode estar acima ou abaixo do que a conta acima sugere. Essa oscilação é explicada em renda fixa x renda variável. Por isso, o prefixado faz mais sentido quando o vencimento coincide com a data em que você vai usar o dinheiro.
Como comparar o rendimento do Tesouro com outras opções?
Compare sempre valor líquido com valor líquido, no mesmo prazo. Taxa bruta de um título tributado não se compara direto com a de uma aplicação isenta.
Três comparações comuns:
- Tesouro Selic x poupança: com a meta da Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança paga 0,5% ao mês mais a TR, pela Lei 8.177, sem imposto de renda. Faça a conta dos dois no mesmo prazo, com o IR do Tesouro descontado.
- Tesouro Selic x CDB com liquidez diária: os dois acompanham os juros básicos e têm a mesma tabela de IR. A diferença está no percentual pago, na proteção do FGC (o CDB tem, o Tesouro não) e no emissor. Os detalhes estão em CDB com liquidez diária.
- Prefixado x Tesouro Selic: o prefixado trava a taxa; o Selic acompanha o que acontecer com os juros. Não dá para saber de antemão qual vai render mais, e é por isso que o critério de escolha dos melhores investimentos começa pelo prazo, não pela taxa.
Para fazer essas contas sem planilha, o simulador de renda fixa com imposto de renda desconta o IR pelo prazo e mostra o valor líquido.
Quais erros distorcem a conta do Tesouro Direto?
- Usar a taxa bruta como se fosse o ganho. O imposto de renda sai do rendimento no resgate.
- Esquecer a custódia fora do Tesouro Selic. Nos outros títulos, 0,20% ao ano pesa, principalmente em prazos longos.
- Supor que a Selic de hoje vale para sempre. A simulação é uma fotografia; o filme depende do Copom.
- Ignorar a taxa da instituição. Somada à custódia, ela reduz o líquido.
- Resgatar antes de 30 dias. O IOF pode levar quase todo o rendimento.
- Vender prefixado antes do vencimento esperando a taxa contratada. O preço de venda é o do dia.
A conta mostra quanto o dinheiro pode render, mas a escolha do título começa pelo prazo do seu objetivo. Para ver onde o Tesouro Direto se encaixa ao lado das outras opções, e em que ordem montar reserva e objetivos, veja o guia de melhores investimentos para iniciantes.
Perguntas frequentes
Quanto rende R$ 1.000 por mês no Tesouro Selic?
Com a Selic efetiva de 13,65% ao ano, conferida em setembro de 2026, o rendimento bruto fica em torno de 1% ao mês, ou cerca de R$ 10 a R$ 11 por mês sobre R$ 1.000, antes do imposto. O valor muda sempre que a Selic muda e o IR só é descontado no resgate.
Dá para investir menos de R$ 1.000 no Tesouro Direto?
Dá. A aplicação mínima é de R$ 30, respeitando frações de 0,01 título, segundo a B3. A conta de rendimento é a mesma, proporcional ao valor aplicado.
O Tesouro Direto rende mais que a poupança?
Depende da Selic e do prazo. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança paga 0,5% ao mês mais a TR, pela Lei 8.177, e é isenta de IR. Compare o rendimento líquido do título, já com IR, com o da poupança no mesmo período.
Se eu vender o título antes do vencimento, perco dinheiro?
No Tesouro Selic a oscilação costuma ser pequena. Nos prefixados e de IPCA+, o preço de venda antes do vencimento depende dos juros do mercado no dia e pode ser menor ou maior do que o da compra.
Fontes consultadas
- Tesouro Transparente: taxas dos títulos ofertados pelo Tesouro Direto (consulta de 28/09/2026)
- Banco Central: meta Selic definida pelo Copom (série 432)
- Banco Central: Selic anualizada base 252 (série 1178)
- B3: tarifas de Tesouro Direto
- B3: perguntas frequentes do Tesouro Direto
- Receita Federal: tributação de 2026 (aplicações financeiras)
- Lei 8.177/1991, art. 12 (remuneração da poupança)
Guias escritos e revisados com checagem de regras e taxas nas fontes oficiais. Como escrevemos.