Como declarar Tesouro Direto no imposto de renda
Como declarar Tesouro Direto no imposto de renda: grupo e código em Bens e Direitos, onde lançar rendimentos e juros e como usar o informe da corretora.
Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento. Consulte um profissional.
Resumo rápido
- O título do Tesouro Direto vai em Bens e Direitos, grupo 04 (Aplicações e Investimentos), código 02 (Títulos públicos e privados sujeitos à tributação).
- Vendas, vencimentos e juros semestrais recebidos no ano entram em Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva, código 06, pelo valor líquido.
- Os valores saem do informe de rendimentos do banco ou da corretora onde você comprou os títulos, e o CNPJ informado é o dessa instituição.
- O IR já foi retido na fonte, então declarar o Tesouro não gera imposto a pagar: a declaração registra o patrimônio e a origem do dinheiro.
- Ter título do Tesouro não obriga ninguém a declarar sozinho; quem está obrigado por outro motivo precisa incluí-lo.
Neste artigo
- Quem precisa declarar o Tesouro Direto?
- Onde encontrar os números da declaração?
- Como lançar o título em Bens e Direitos?
- Onde entram os resgates, os vencimentos e os juros semestrais?
- E se o título foi vendido ou venceu durante o ano?
- Quais erros mais comuns ao declarar o Tesouro Direto?
- Por que vale organizar isso desde já?
Para declarar Tesouro Direto no imposto de renda, você lança cada título na ficha Bens e Direitos, no grupo 04 (Aplicações e Investimentos), código 02 (Títulos públicos e privados sujeitos à tributação), com os valores de 31 de dezembro que aparecem no informe de rendimentos. O que você recebeu no ano com vendas, vencimentos e juros semestrais vai na ficha Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva, código 06, pelo valor líquido.
Esse é o caminho descrito pela B3 no guia do IR 2026 e confere com o manual da Receita Federal (conferido em outubro de 2026). Como o imposto já foi retido na fonte, a declaração do Tesouro não gera imposto a pagar: ela registra o patrimônio e explica de onde veio o dinheiro. Como o título funciona e quais tipos existem estão em Tesouro Direto: como funciona; aqui o foco é só o preenchimento.
Quem precisa declarar o Tesouro Direto?
Ter título do Tesouro não obriga ninguém a declarar sozinho. A obrigação vem das regras gerais da Receita; quem se encaixa em alguma delas precisa incluir os títulos. Na declaração entregue em 2026 (ano-calendário 2025), estavam obrigados, entre outros casos, quem:
- recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 no ano;
- recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados só na fonte acima de R$ 200.000;
- tinha, em 31 de dezembro, bens e direitos acima de R$ 800.000;
- fez vendas em bolsa acima de R$ 40.000 no ano ou com ganho tributável.
Os limites estão na pergunta 001 do Perguntas e Respostas IRPF 2026 da Receita e podem mudar de um ano para o outro. Se você é obrigado, o manual da Receita manda incluir os títulos públicos quando o saldo em 31 de dezembro for maior que R$ 140.
Onde encontrar os números da declaração?
No informe de rendimentos, que o banco ou a corretora onde você comprou os títulos disponibiliza no começo do ano, em geral na área de documentos ou de imposto de renda do aplicativo. Segundo a B3, ele traz o saldo dos títulos em 31 de dezembro, os rendimentos do ano, o IR retido na fonte e o CNPJ da instituição.
| Campo da declaração | Onde está no informe | Observação |
|---|---|---|
| CNPJ | dados da instituição | é o CNPJ do banco ou da corretora custodiante, não o do Tesouro |
| Situação em 31/12 do ano anterior | saldo do ano anterior | deve bater com a declaração do ano passado |
| Situação em 31/12 do ano-calendário | saldo do ano atual | zero, se você vendeu tudo ou o título venceu |
| Rendimento líquido (código 06) | rendimentos sujeitos à tributação exclusiva | já descontado o IR retido |
| Juros semestrais | mesma seção de tributação exclusiva | só nos títulos com juros semestrais |
A B3 tem a Área do Investidor, com um relatório consolidado das posições. Ele ajuda a conferir se nada ficou de fora, mas a própria B3 avisa que essas informações são consultivas: o documento de referência é o informe da instituição.
Como lançar o título em Bens e Direitos?
Abra a ficha Bens e Direitos, clique para incluir um novo bem e preencha assim:
- Grupo: 04 – Aplicações e Investimentos.
- Código: 02 – Títulos públicos e privados sujeitos à tributação.
- Localização: Brasil.
- CNPJ: o da instituição custodiante que aparece no informe.
- Discriminação: o nome do título (por exemplo, "Tesouro Selic 2029"), a quantidade e a corretora ou o banco.
- Situação em 31/12 do ano anterior e do ano-calendário: os valores do informe.
Na versão on-line do Meu Imposto de Renda, a Receita organiza o mesmo item pelo nome: patrimônio do tipo Aplicações e Investimentos, opção "Títulos Públicos e Privados sujeitos à Tributação". Dali mesmo, pela aba Eventos, dá para usar "Adicionar Rendimentos" e informar o rendimento ligado ao título.
Quem usa a declaração pré-preenchida pode encontrar o título já lançado com o valor do ano anterior. Mesmo assim, confira cada campo com o informe e marque o item como revisado; a pré-preenchida ajuda, mas a responsabilidade pelas informações continua sendo de quem declara.
Onde entram os resgates, os vencimentos e os juros semestrais?
Na ficha Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva, código 06 (Rendimentos de aplicações financeiras), com o CNPJ da fonte pagadora e o valor líquido que o informe mostra. O manual da Receita classifica os rendimentos de renda fixa decorrentes de venda, resgate ou vencimento nesse grupo, e a B3 orienta o mesmo para os juros semestrais.
Isso vale porque o IR do Tesouro é retido na fonte no momento do resgate, do vencimento ou do pagamento de juros, pela mesma tabela regressiva da renda fixa. Como essa tabela funciona, faixa por faixa, está em imposto de renda no CDB, que segue a mesma regra.
E se o título foi vendido ou venceu durante o ano?
O item continua na declaração daquele ano, com o saldo do ano anterior preenchido e a situação em 31 de dezembro igual a zero. Escreva na discriminação que o título foi vendido ou venceu e em que data, e lance o rendimento líquido no código 06.
O dinheiro que voltou para você precisa aparecer em algum lugar: na conta corrente, se ficou parado, ou em outro investimento, se foi reaplicado. Como a instituição também informa esses valores à Receita, o que saiu de um item precisa aparecer em outro.
Títulos novos comprados no ano entram do mesmo jeito, com a situação do ano anterior zerada.
Quais erros mais comuns ao declarar o Tesouro Direto?
- Lançar o rendimento como tributável. Ele é de tributação exclusiva; na ficha errada, entra no cálculo do ajuste e pode gerar imposto em dobro.
- Usar o saldo do aplicativo num dia qualquer. Use o valor do informe para 31 de dezembro.
- Informar o CNPJ do Tesouro Nacional ou da B3. O CNPJ é o da instituição que aparece no informe.
- Esquecer os juros semestrais. Quem tem título com juros semestrais recebe rendimento mesmo sem vender.
- Apagar o item do título vendido. Ele precisa ficar com o saldo anterior e a situação final zerada.
- Juntar Tesouro, CDB e LCI num item só. LCI e LCA são isentas e entram em outro tipo de rendimento; o CDB pode ficar no mesmo código 02, mas em item separado, com o próprio emissor.
O prazo de entrega muda todo ano. Em 2026, a Receita recebeu as declarações de 23 de março a 29 de maio; confira o calendário do ano seguinte no site da Receita antes de começar.
Por que vale organizar isso desde já?
Porque a declaração fica fácil quando você sabe o que tem e onde está. Quem guarda os informes numa pasta por ano e anota as compras e vendas resolve o Tesouro em poucos minutos. Para escolher os próximos títulos pelo prazo do objetivo, o guia de melhores investimentos reúne os critérios, e a conta de quanto rendem R$ 1.000 no Tesouro Direto mostra o efeito do imposto no resultado final.
Se o seu desafio hoje é ter sobra para investir todo mês, o método passo a passo para ganhar dinheiro em casa ajuda a montar uma renda extra que alimente os aportes. Com dinheiro entrando e informe em mãos, a declaração vira rotina, e você pode voltar ao guia de como escolher os melhores investimentos sempre que for aplicar de novo.
Perguntas frequentes
Preciso declarar Tesouro Direto se investi pouco?
Se você está obrigado a entregar a declaração, os títulos entram quando o saldo em 31 de dezembro passa de R$ 140, segundo o manual da Receita Federal. Abaixo disso, o lançamento não é exigido. Se não está obrigado a declarar, o Tesouro sozinho não cria essa obrigação.
Uso o valor investido ou o saldo que aparece no aplicativo?
Use o valor que o informe de rendimentos indica para 31 de dezembro de cada ano. O saldo do aplicativo muda todo dia com a marcação a mercado e não é o documento de referência da declaração.
Errei o lançamento do Tesouro numa declaração já enviada. E agora?
Você pode enviar uma declaração retificadora, que substitui a original, corrigindo o grupo, o código ou os valores. Use o mesmo informe de rendimentos e guarde os comprovantes junto com a declaração.
O relatório da Área do Investidor da B3 substitui o informe?
Não. A própria B3 diz que as informações da Área do Investidor são consultivas e orienta pedir à corretora ou ao custodiante o informe de rendimentos emitido conforme as regras da Receita. O relatório ajuda a conferir, mas a base é o informe.
Fontes consultadas
- B3: como declarar investimentos do Tesouro Direto no Imposto de Renda 2026
- Receita Federal: manual Meu Imposto de Renda, bens financeiros (atualizado em 26/05/2026)
- Receita Federal: manual Meu Imposto de Renda, rendimentos do capital
- Receita Federal: manual Meu Imposto de Renda, eventos do patrimônio
- Receita Federal: Perguntas e Respostas IRPF 2026 (obrigatoriedade e prazo)
- B3: perguntas frequentes do Tesouro Direto
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