CDB ou Tesouro Direto: qual escolher para cada objetivo
CDB ou Tesouro Direto: compare garantia do FGC e do Tesouro, liquidez, custos e IR, e veja qual costuma servir para reserva, metas com data e longo prazo.
Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento. Consulte um profissional.
Resumo rápido
- CDB e Tesouro Direto pagam o mesmo imposto de renda, pela tabela regressiva de 22,5% a 15%, e o mesmo IOF em resgates antes de 30 dias.
- No Tesouro, quem deve é o governo federal e não há FGC; no CDB, quem deve é o banco, com FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado.
- O Tesouro tem taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano, com isenção no Tesouro Selic até R$ 10 mil; no CDB, os custos dependem da instituição.
- Para a reserva, a comparação costuma ser entre Tesouro Selic e CDB de liquidez diária; para metas com data, entre título com vencimento na data e CDB do mesmo prazo.
- A escolha final depende da taxa líquida do dia, do prazo do objetivo e de quanto você já tem em cada emissor.
Neste artigo
CDB ou Tesouro Direto: para a maioria dos objetivos, a escolha se resolve pela garantia, pela liquidez e pela taxa líquida do dia, porque o imposto de renda é igual nos dois, pela tabela regressiva de 22,5% a 15% sobre o rendimento. No Tesouro, quem deve o dinheiro é o governo federal e não há FGC; no CDB, quem deve é o banco emissor, com cobertura do FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado.
Não existe vencedor fixo. O que funciona é decidir objetivo por objetivo: a reserva de emergência pede uma coisa, uma meta com data marcada pede outra, e valores grandes pedem atenção ao limite do FGC. Como cada produto funciona por dentro está em Tesouro Direto: como funciona e em CDB, LCI ou LCA: qual escolher; aqui o foco é a comparação direta entre os dois.
O que muda entre CDB e Tesouro Direto?
Quase tudo que importa para a decisão cabe nesta tabela. As regras de imposto, custódia e FGC foram conferidas nas fontes oficiais em outubro de 2026.
| Critério | Tesouro Direto | CDB |
|---|---|---|
| Quem deve | Tesouro Nacional (governo federal) | o banco emissor |
| Proteção | risco de crédito do governo federal; sem FGC | FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado, com teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos |
| Imposto de renda | tabela regressiva, de 22,5% a 15% | a mesma tabela |
| IOF | só em resgates antes de 30 dias | o mesmo |
| Custos | custódia da B3 de 0,20% ao ano (Tesouro Selic isento até R$ 10 mil) e eventual taxa da instituição | depende da instituição; muitos não cobram taxa, mas confira |
| Liquidez | recompra diária pelo Tesouro, pelo preço de mercado | conforme o título: diária, após carência ou só no vencimento |
| Oscilação antes do vencimento | pequena no Tesouro Selic; maior em prefixados e IPCA+ | em geral não há venda antecipada fora das regras do título |
| Aplicação mínima | R$ 30 | definida por cada emissor |
Dois detalhes desfazem confusões comuns. Primeiro, o FGC é contado por emissor, não pela corretora onde você comprou o CDB. Segundo, o Tesouro sempre recompra, mas "recompra" não quer dizer "devolve o que você pagou": o preço é o do mercado naquele dia.
Qual escolher para a reserva de emergência?
Para a reserva, a comparação costuma ser entre o Tesouro Selic e um CDB de liquidez diária. Os dois atendem ao essencial, que é liquidez e baixa oscilação, e a diferença está nos detalhes:
- Taxa: o Tesouro Selic rende a Selic, que estava em 13,65% ao ano (efetiva) em 1º de outubro de 2026, segundo o Banco Central. Um CDB de 100% do CDI rende praticamente o mesmo, já que o CDI estava em 13,65% em 30 de setembro. CDBs abaixo de 100% do CDI tendem a perder para o Tesouro Selic; acima disso, tendem a ganhar.
- Custo: até R$ 10 mil, o Tesouro Selic não paga custódia da B3; acima disso, paga 0,20% ao ano sobre o excedente.
- Prazo do dinheiro: no CDB, veja na ficha em quanto tempo o resgate cai na conta. No Tesouro Direto, as operações seguem o horário de funcionamento informado no site do Tesouro.
Há também uma novidade: o Tesouro Reserva, produto do Tesouro Direto que, segundo o site oficial consultado em 1º de outubro de 2026, rende 100% da Selic, aceita aplicações a partir de R$ 1 e permite resgate imediato quase 24 horas por dia, com IR regressivo, IOF antes de 30 dias e a mesma isenção de custódia até R$ 10 mil. Por enquanto, ele é oferecido por uma única instituição parceira; confira no site do Tesouro Direto quais instituições já operam o produto.
Os detalhes do CDB para essa função estão em CDB com liquidez diária, e o tamanho ideal da reserva, em reserva de emergência.
E para um objetivo com data marcada?
Aqui a regra é casar o vencimento com a data do objetivo. Se você vai precisar do dinheiro em três anos, procure um título que vença perto disso:
- No Tesouro: um prefixado ou um IPCA+ com vencimento na data. Levando até o fim, você recebe a taxa contratada, sem depender do preço do dia. O IPCA+ ainda protege o poder de compra contra a inflação.
- No CDB: um CDB com vencimento no mesmo prazo, que costuma pagar mais do que um de liquidez diária. A troca é que, em geral, o dinheiro fica preso até o vencimento.
A vantagem do Tesouro é poder vender antes, se a vida mudar, mesmo que pelo preço de mercado. A do CDB costuma ser uma taxa um pouco maior em troca de deixar o dinheiro parado até o vencimento.
E quando o valor fica grande?
O limite do FGC passa a pesar. Acima de R$ 250 mil num mesmo banco ou conglomerado, o excedente fica sem cobertura. Quem tem valores maiores costuma dividir os CDBs entre emissores diferentes ou usar o Tesouro para a parte que passaria do limite. Lembre também do teto de R$ 1 milhão em garantias pagas a cada quatro anos, por CPF.
Como comparar as taxas na prática?
Coloque as opções na mesma base, para o mesmo prazo, e desconte o que for diferente entre elas.
Para fazer essa conta com o desconto do imposto pelo prazo, use o simulador de renda fixa. A lógica completa do cálculo no Tesouro está em quanto rendem R$ 1.000 no Tesouro Direto.
Quais erros evitar na comparação?
- Achar que um tem IR e o outro não. Os dois seguem a mesma tabela; isenção é coisa de LCI, LCA e poupança.
- Comparar taxa bruta sem olhar custos. Custódia e taxa da instituição mudam o resultado, principalmente em valores pequenos.
- Pôr a reserva num título longo. Prefixado ou IPCA+ longo pode exigir venda com perda numa emergência.
- Ultrapassar o FGC num só emissor sem perceber. Some todos os CDBs do mesmo conglomerado.
- Escolher o banco só pela taxa mais alta. Taxa muito acima da média vem com risco maior.
CDB e Tesouro costumam conviver na mesma carteira, cada um no papel em que funciona melhor. O guia de melhores investimentos mostra como distribuir o dinheiro por objetivo. E se o desafio hoje é ter o que aplicar, o método passo a passo para ganhar dinheiro em casa ajuda a abrir espaço no orçamento para os aportes; com eles, volte ao guia de como escolher os melhores investimentos a cada nova aplicação.
Perguntas frequentes
Tesouro Direto é mais seguro que CDB?
São riscos de natureza diferente. No Tesouro, o risco de crédito é o do governo federal; no CDB, é o do banco, com cobertura do FGC até o limite. Para valores dentro do limite do FGC, a diferença prática costuma estar mais na liquidez e na taxa do que no risco de calote.
Posso ter CDB e Tesouro ao mesmo tempo?
Pode, e muita gente faz isso: parte da reserva num, parte no outro, ou cada um para um objetivo. Só lembre que mais produtos significam mais itens para acompanhar e declarar.
O que acontece se eu vender um título do Tesouro antes do vencimento?
O Tesouro recompra o título todos os dias, pelo preço de mercado do momento. No Tesouro Selic a oscilação costuma ser pequena; nos prefixados e de IPCA+, o preço pode ficar abaixo do que você pagou se os juros tiverem subido.
CDB que paga muito acima do CDI vale a pena?
Pode valer, mas taxa bem acima da média costuma indicar um banco que precisa atrair dinheiro. Dentro do limite do FGC, o valor é coberto, mas o pagamento em caso de liquidação não é imediato. Confira a solidez do emissor e quanto você já tem nele.
Fontes consultadas
- FGC: sobre a garantia
- B3: perguntas frequentes do Tesouro Direto (custódia, mínimo e recompra)
- Tesouro Direto: Tesouro Reserva (consulta de 01/10/2026)
- Receita Federal: tributação de 2026 (aplicações financeiras)
- Decreto 6.306/2007 (IOF), art. 32 e anexo
- Banco Central: Selic efetiva anualizada (série 1178, consulta de 01/10/2026)
- Banco Central: CDI anualizado base 252 (série 4389, consulta de 01/10/2026)
Guias escritos e revisados com checagem de regras e taxas nas fontes oficiais. Como escrevemos.